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domingo, 8 de Novembro de 2009

SISTEMA DIGESTIVO: SITUAÇÕES DE PEQUENA GRAVIDADE



Mário Beja Santos

O sistema digestivo é particularmente propício a perturbações (infecções, inflamações, distúrbios digestivos, do trânsito intestinal...), sendo numerosas as situações de queixa que levam os doentes a procurar aconselhamento na farmácia.


Basta pensar na higiene oral, onde se incluem as doenças ligeiras da boca; nos problemas gástricos, como é o caso da azia, náuseas, vómitos e enjoo; passando para os males ligeiros do intestino.

O farmacêutico é ainda confrontado com o pedido de medicamentos sem receita médica ou informações no que toca a diarreia, obstipação ou males menores relacionados com hemorróidas. Desse vasto conjunto de situações, escolhemos a saúde oral e as doenças ligeiras da boca, os problemas gástricos e o uso dos laxantes como casos que comprovam que devemos ser exigentes com a excelência do aconselhamento farmacêutico.


Boa saúde oral, como actuar nas doenças ligeiras da boca

Há doenças e medicamentos que fragilizam a saúde oral, podendo o farmacêutico constituir uma fonte de informação e orientação. O farmacêutico, além de estar bem posicionado para orientar os seus utentes quanto a dentífricos mais adequados a cada situação, pode aconselhar noutras regras da boa higiene oral como seja a forma correcta de escovagem dos dentes, a sua frequência, a selecção da escova a utilizar ou os produtos recomendáveis em situações específicas.

Os utentes têm toda a vantagem quando abordam o seu farmacêutico em procurar expor com clareza o estado de saúde da sua boca, como seja: se os seus dentes são sensíveis a variações de temperatura (para o quente e para o frio), se as suas gengivas sangram com facilidade, qual é a periodicidade das suas idas ao dentista e se existem doenças crónicas que obriguem à toma de medicamentos e quais (é o caso da epilepsia, diabetes e asma).

Nas doenças ligeiras da boca sabe-se que há pessoas que desenvolvem pequenas lesões ou inflamações, como é o caso das estomatites e as gengivites. A estomatite vulgar é uma inflamação da boca que pode afectar a mucosa interior das bochechas, a língua, o céu da boca e as gengivas. Aparece com intensidade variável, com vermelhidão e dor, podendo apresentar-se com o aspecto de uma úlcera.

O farmacêutico pode vir a ser chamado a intervir no tratamento das aftas, mas há situações mais graves em que a prescrição médica é indispensável. As gengivites são inflamações (agudas ou crónicas) das gengivas, com vermelhidão e inchaço podendo apresentar pontos hemorrágicos.

Não é raro a gengivite ser acompanhada de estomatite. Nestes casos, o tratamento passa por uma boa higiene buco-dental, realizada após a ingestão de alimentos. Podem ainda realizar-se bochechos com anti-sépticos e outros produtos.

Saber distinguir as indisposições gástricas

Quando as queixas digestivas, particularmente do estômago, são ocasionais e muitas vezes associadas a excessos alimentares, é recomendado o recurso à indicação farmacêutica. Estes males digestivos são de diferente natureza, manifestando-se por dores, náuseas, vómitos, azia, arrotos e digestões difíceis.

Falando da azia, as situações mais ligeiras podem ser aliviadas com a toma de antiácidos que, ao diminuírem a acidez do estômago, abrandam a sensação de ardor e a agressividade sobre o esófago. Os antiácidos podem também trazer alívio na gastrite (uma inflamação do estômago) e na úlcera gástrica (sempre que as dores persistirem, é imprescindível o diagnóstico médico).

Dado que os antiácidos podem ser adquiridos sem receita médica, para alívio destes mal-estares ocasionais convém conhecê-los um pouco melhor, uma vez que nenhum deles é inofensivo.

Ao dialogar com o farmacêutico ficará a saber que: o efeito de um antiácido é, regra geral, mais prolongado se for tomado uma a duas horas após uma refeição; os antiácidos têm composições diferentes e, por conseguinte, efeitos secundários e contra-indicações específicas; os antiácidos podem interferir com outros tratamentos, ao diminuírem o efeito da terapêutica que o doente está a fazer (um exemplo desta situação é o que pode ocorrer com alguns antibióticos, que em associação com antiácidos podem ter a sua acção diminuída, mantendo-se a infecção) - por este motivo recomenda-se que a toma de antiácidos ocorra duas horas antes ou uma hora depois da toma de outros medicamentos.


Cuidados com os laxantes


Dentro dos medicamentos que podem ocasionar a prisão de ventre destacam-se os antiácidos, medicamentos para as cólicas, anticonvulsivantes, alguns antidepressivos, analgésicos, entre outros, e também os próprios laxantes, cujo abuso pode originar um quadro de prisão de ventre.

A preocupação a ter com o uso dos laxantes é particularmente importante em crianças, idosos, grávidas e mulheres a amamentar. As crianças e os idosos são muito sensíveis à desidratação e à perda de sais minerais que os laxantes podem provocar se forem potentes, não se recomendando, por isso, laxantes irritantes.

É preciso dar particular atenção à composição de laxantes para crianças e não se deixar sugestionar pelo nome comercial que pode dar lugar a enganos por se fazer menção a um produto natural - os produtos à base de plantas também podem originar efeitos adversos e, por vezes, não são recomendados (o utente deve ler sempre a composição do laxante).

Na grávida, os laxantes expansores do volume fecal são os mais indicados. Uma mulher a amamentar deve ter uma precaução redobrada com os laxantes que toma, porque alguns são eliminados pelo leite e provocam diarreia no bebé.

Não é demais insistir que a necessidade de recorrer aos laxantes seria evitável, na grande maioria dos casos, se as pessoas adoptassem bons hábitos alimentares e estilos de vida mais saudáveis e que estão ao alcance de todos.

Também aqui o aconselhamento farmacêutico poderá revelar-se do maior interesse. É nesse diálogo que se fica a compreender porque é que não se devem tomar laxantes de ânimo leve, qual a alimentação mais adequada para melhorar a prisão de ventre e como identificar as causas.

Nesse diálogo, caso esteja a tomar medicamentos, pergunte ao seu farmacêutico se algum deles pode ser responsável pela prisão de ventre. E, por último, informe o seu farmacêutico sobre outros sintomas que acompanham a sua prisão de ventre, como, por exemplo, dores abdominais ou vómitos, já que estes podem ser motivos para uma consulta médica.

A propósito, não insista na toma de laxantes que requerem receita médica. Como se vê, nas situações de pequena gravidade do sistema digestivo há tudo a ganhar em saber usar e abusar do aconselhamento farmacêutico.


Fonte: FARMÁCIA SAÚDE - ANF

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

INCONTINÊNCIA: PINGOS DE DESCONFORTO



Desconforto, mas também embaraço, é o que sente quem sofre de incontinência urinária, um problema mais feminino do que masculino e que se torna mais frequente com a idade. Mas que se contorna com a ajuda de produtos próprios que devolvem o bem-estar e a auto-estima.


Quem vê televisão com regularidade certamente já se deparou com vários anúncios a propósito da incontinência - são anúncios que publicitam as chamadas fraldas para adultos, uma das soluções mais confortáveis e eficazes para contornar a dificuldade em conter a urina. Marcas à parte, são todos eles anúncios que transmitem uma imagem positiva, com os protagonistas em atitudes de confiança e descontracção.


E, embora a razão de ser da publicidade seja a de convencer o público, pelo que as mensagens são naturalmente afirmativas, a verdade é que há cada vez menos razões para que a incontinência seja fonte de desconforto e embaraço.


A incontinência é definida como a perda involuntária de urina, que representa um problema higiénico ou social para a pessoa afectada. Há diferentes tipos e pode ou não ser acompanhada da sensação de micção urgente.

Significa isto que as gotas que se escapam ao controlo do cérebro e da bexiga podem ser antecedidas de uma vontade urgente de urinar, mas também pode acontecer que não haja qualquer aviso prévio.

Este cenário é duas vezes mais frequente entre o sexo feminino, por comparação com o masculino, e tende a acentuar-se com a idade, embora possa ocorrer em qualquer altura da vida. Sabe-se, no entanto, que um em cada três idosos tem dificuldade em controlar a bexiga, o que constitui terreno fértil ao desenvolvimento de doenças como as úlceras de decúbito, infecções e depressões.

Aliás, as implicações a nível psicológico são, muitas vezes, mais problemáticas do que as complicações físicas da incontinência. Uma pessoa que não consegue evitar que a urina se escape acaba por se isolar, devido ao natural constrangimento e ao receio de ser rejeitada pelos seus pares. Acontece que o doente evite o convívio social, tal como se iniba de manter contactos íntimos com o seu parceiro.

Fica, assim, claramente comprometido o bem-estar nas suas múltiplas vertentes.
A incontinência, nos seus diferentes tipos, pode ter sintomas temporários ou persistentes, sendo que, no primeiro caso, desaparece quando são eliminados os factores que estão na sua origem. Uma doença, um medicamento, uma situação de stress emocional...

Geralmente classifica-se a incontinência urinária em grupos. A incontinência de stress acontece quando aumenta a pressão abdominal - rir, espirrar, tossir, exercício físico - devido a fraqueza dos músculos pélvicos.

Considera-se também a incontinência de imperiosidade (também chamada de urgência), relacionada com a instabilidade do principal músculo da bexiga. O que acontece é que a pessoa sente um forte desejo de micção, mas não consegue evitar a perda de urina antes de chegar a uma casa de banho.

A mista, quando existem sintomas de incontinência de stress e imperiosidade. Há também quem sofra de incontinência funcional ou reflexa, situação em que não há qualquer impulso de urinar. Nestes casos, a bexiga esvazia-se porque não recebe qualquer instrução de controlo do cérebro.


Recuperar o bem-estar

A incontinência é causa de intenso desconforto, físico e emocional. É, no entanto, possível corrigi-la ou mantê-la sob controlo. E enquanto as terapêuticas não surtem efeito, é desejável recorrer à ajuda de alguns dispositivos que minimizam as consequências da perda de urina.

São três os tipos principais desses dispositivos: oclusivos, colectores e absorventes. Os primeiros são dispositivos mecânicos que actuam comprimindo a uretra (o canal que liga a vagina ou o pénis à bexiga e por onde se liberta à urina) e que devem ser retirados no momento da micção, voltando depois a ser colocados. Já os segundos, visam recolher e armazenar a urina, sendo constituídos por um sistema de drenagem do qual faz parte um saco onde é depositada a urina que se vai escoando da bexiga.

Este saco deve incluir uma válvula que evite o regresso da urina, de modo a prevenir uma infecção. Deve ser descartável ou, se for reutilizável, impõe-se uma limpeza diária rigorosa, com o mesmo objectivo preventivo.

Os mais comuns são os produtos absorventes, cuja função é reter a urina, mantendo o doente seco e confortável. A escolha deve fazer-se em função de factores como o tipo e a gravidade da incontinência, o estado funcional do doente e o sexo. E, além de se adaptarem ao doente, estes produtos devem assegurar uma absorção suficiente, facilitar os movimentos e evitar derrames de urina.

São as chamadas fraldas ou cuecas para incontinentes, constituídas por três camadas - uma de polietileno, à prova de água e que protege as roupas; uma segunda de celulose que actua como absorvente e uma terceira de material hidrófobo, que mantém a urina afastada da pele.

Não são, porém, sistemas de via única, o que significa que quando a camada absorvente está saturada a urina volta a estar em contacto com a pele, pelo que devem ser substituídos com regularidade.

Estes produtos visam proporcionar conforto e atenuar ou eliminar o embaraço causado pela incontinência, pelo que existem modelos mais discretos destinados a ser usados durante o dia, ainda que com menor capacidade de absorção.

E recentemente ficou disponível uma alternativa ainda mais confortável e saudável - uma cueca para incontinente formada por 100% de algodão e cuja camada de absorção inclui três por cento de prata. É aqui que reside a diferença: a prata tem propriedades anti-sépticas, anti-bacterianas e anti-odores. Esta é uma mais-valia acentuada, tanto para homens como para mulheres que não conseguem controlar a bexiga mas que já podem manter uma vida social livre de embaraços.


Calcula-se que em Portugal cerca de 600 mil pessoas sofram deste problema, mas também se estima que apenas um terço procure ajuda médica. É porventura o embaraço associado à incontinência que afasta os doentes - aliás, um estudo efectuado há alguns anos em 16 países europeus, incluindo Portugal, mostrou que a incontinência urinária é o segundo problema de saúde que mais envergonha, só ultrapassado pelas disfunções sexuais.



Sinais de alerta


A perda de urina é sempre precedida de alguns sinais de alarme, que devem ser tidos em conta e que importa conhecer:

• Incapacidade de urinar;

• Urinar mais frequentemente do que o habitual sem que exista uma infecção na bexiga;

• Necessidade de correr para a casa de banho, perdendo urina quando não se chega a tempo;

• Dores relacionadas com o acto de urinar;

• Infecções frequentes da bexiga;

• Enfraquecimento progressivo do jacto urinário, com ou sem a sensação de esvaziamento total da bexiga;

• Urina em quantidade anormal.


Fonte: FARMÁCIA SAÚDE - ANF

PUBERDADE ANTES DE TEMPO



Há rapazes e raparigas para quem a puberdade chega antes de tempo. Abrindo caminho a problemas de desenvolvimento físico e a emoções para as quais ainda não estão preparados.


É entre os oito e os 12 anos que os sinais da puberdade se manifestam no corpo das raparigas. Nos rapazes chegam mais tarde, pelos nove até aos 14. É a idade das grandes mudanças na forma e no tamanho, mas sobretudo na capacidade de reprodução, passo decisivo no caminho para serem adultos.


Mas o que fazer quando esses sinais despontam bem mais cedo? Quando, pelos cinco ou seis anos, as raparigas já evidenciam desenvolvimento das mamas ou nos rapazes os genitais se apresentam desproporcionados para a idade? Se isso acontece está-se perante a puberdade precoce, que no sexo masculino significa que os caracteres sexuais começam a desenvolver-se antes dos nove anos e no feminino antes dos oito.


Nelas, a precocidade manifesta-se também através da primeira menstruação e neles denuncia-se pelo crescimento dos pêlos faciais, sobretudo sobre o lábio superior, e pelo mudar da voz. Em ambos, surgem também os pêlos púbicos e nas axilas, o rosto começa a ser marcado pela acne e o corpo exala já um odor de adulto. Também em ambos se dá um rápido crescimento ósseo.


Na origem desta antecipação está, quase sempre, um desequilíbrio no processo que comanda a puberdade e que envolve uma região do cérebro chamada hipotálamo e a pituitária, uma glândula com o tamanho de uma ervilha situada na base do cérebro. O hipotálamo comanda este processo ao desencadear a libertação de uma hormona, a Gn-Rh.

Por sua vez, esta hormona interage com a pituitária, fazendo-a libertar outras duas hormonas, as quais estimulam os ovários e os testículos, onde são produzidas mais hormonas - os estrogénios, responsáveis pelos caracteres sexuais femininos, e a testosterona, responsável pelos masculinos. Iniciam-se então as mudanças físicas que caracterizam a puberdade.

Ora, nalgumas crianças todo este processo começa antes de tempo. Geralmente, sem que seja identificada uma causa: é o que se verifica na chamada puberdade precoce central, em que todo o processo se inicia mais cedo mas decorre num ritmo considerado normal, passo a passo.

São quase sempre crianças em que não há qualquer problema médico subjacente, embora, raramente, a precocidade possa ser consequência de um tumor no cérebro ou na medula espinal, de uma infecção como a encefalite ou a meningite, de um defeito no cérebro presente à nascença, de trauma, de obstrução no fluxo sanguíneo do cérebro e de alterações endócrinas na glândula supra-renal ou da tiróide.

Um segundo tipo de puberdade precoce é a periférica. Ainda menos comum do que a central, não envolve todo o eixo mas apenas as hormonas sexuais: os estrogénios ou a testosterona são libertados mais cedo no corpo destas crianças devido a problemas nos ovários, nos testículos, nas glândulas supra-renais ou na pituitária.


Raparigas mais precoces


A puberdade precoce é mais frequente no sexo feminino do que no masculino. Aliás, mesmo em circunstâncias normais, os caracteres sexuais surgem mais cedo nas raparigas do que nos rapazes. Além do género, outro factor predispõe ao acelerar da mudança: o peso, ou melhor, o excesso.


Mas o facto é que, sejam rapazes, sejam raparigas, não é fácil ser-se criança e lidar com um corpo em mutação. Não é fácil quando ela acontece dentro do prazo esperado, muito menos, pois, quando ela surpreende a infância.

Emocional e socialmente, a mudança é decerto difícil de aceitar e de gerir. Uma rapariga em que as mamas começam a evidenciar-se sentirá muito provavelmente embaraço pela diferença óbvia face às colegas e amigas.

Sentir-se-á confusa se, além disso, começar a menstruar. E correrá o risco de ser alvo da crueldade dos pares. O impacto nos comportamentos não é menosprezável: humor aos altos e baixos, irritabilidade, isolamento, agressividade, início precoce da sexualidade.

Mas há também consequências para a saúde física. É que as crianças com puberdade precoce crescem mais depressa do que os pares, ficando mais altas do que seria de esperar para a idade. Mas, esse crescimento termina também mais cedo do que o habitual, pelo que serão adultos com uma estatura inferior à média. Não atingem, portanto, todo o seu potencial de crescimento.

As raparigas poderão desenvolver um problema adicional, inerente ao género: síndrome do ovário poliquístico, mais frequente quando começam a menstruar antes dos oito anos. No que respeita à puberdade, a precocidade pode ser fonte de múltiplos dissabores, pelo que é importante que os pais estejam atentos e que, perante qualquer suspeita de maturidade sexual antes de tempo, procurem ajuda médica. A começar pelo pediatra ou pelo médico de família, que poderá depois encaminhar o caso para um endrocrinologista, especialista em questões hormonais.

É possível tratar a puberdade precoce, mas depende da causa. Se não houver qualquer doença subjacente, o tratamento envolve a administração de hormonas sintéticas que bloqueiam a produção das hormonas sexuais, assim travando ou até revertendo o desenvolvimento, quer ao nível dos caracteres sexuais, quer dos ossos. Uma vez finalizado o tratamento, o processo segue o seu ritmo normal, ou seja, estas raparigas e estes rapazes voltam a acompanhar os pares.

É importante em todo este caminho que as crianças sejam acompanhadas pelos pais, atentos a eventuais sinais de conflito emocional e relacional. Falta de interesse pelas actividades habituais, diminuição dos resultados escolares, maior agressividade ou tristeza, tendência para o isolamento são indícios de que algo vai mal. Não admira quando a puberdade chega mais cedo de que é esperada...


Fonte: FARMÁCIA SAÚDE - ANF

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

CONTROLO EFICAZ DA DIABETES PERMITE REDUZIR PROBLEMAS CARDIOVASCULARES

ESPECIALISTAS DIZEM QUE É ESSENCIAL MANTER AMIGOS E EXERCÍCIO NA 3ª IDADE

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Pontes imaginárias

É como pontes entre o conhecido e o desconhecido que funcionam aqueles objectos que as crianças nunca largam - o peluche ou a fralda de pano, que arrastam consigo até quase se desfazer e de que recusam separar-se.

Todos sabemos como as crianças se apegam a determinados objectos - a uma chucha, a uma fralda de pano ou a um boneco de peluche.

E também sabemos como protestam quando são separadas desses objectos de estimação. É frequente a imagem de uma criança que arrasta consigo uma fralda de pano, já a desfazer-se e em precaríssimas condições de higiene, mas que é agarrada como o mais precioso dos bens.

Tal como é frequente a imagem de um protesto inconsolável quando alguém lhe tenta retirar a fralda. E nem é preciso que haja intenção - basta que a fralda fique esquecida no momento de sair de casa para que o choro se desate e só pare quando a fralda é devolvida...

É comum que seja uma fralda de pano, mas pode ser qualquer outro objecto, desde que seja suave. Para a criança, esse objecto é uma reminiscência do calor que emana do peito e dos braços maternos: ao agarrar a fralda junto a si é como se se aconchegasse no corpo da mãe. E apega-se assim à fralda ou ao peluche precisamente para compensar a ausência da mãe: é como se a sentisse próxima apesar da separação.

É entre os quatro e os seis meses que, normalmente, se inicia este comportamento: e assim acontece porque é nesta idade que a criança se começa a movimentar no mundo externo, sem se separar completamente do seu mundo interno. Daí que estes objectos sejam chamados de transição - funcionam como pontes entre os dois mundos em que a criança se situa.

Calcula-se que mais de metade das crianças tenha uma fraldinha de estimação (ou equiparado), cujo cheiro reconhece e de que recusa separar-se, mesmo quando se está a desfazer e quando deixa muito a desejar em termos de higiene: oferecer-lhe uma nova ou lavada não resulta. A criança desenvolve uma ansiedade extrema: é que a fralda proporciona segurança, funcionando ao mesmo tempo como um substituto materno e como um suporte na conquista de autonomia.

É o conforto que a criança retira desse objecto que lhe permite aceitar a ausência da mãe e transitar para o ambiente externo, de uma creche por exemplo.

Seja a fralda ou outro objecto qualquer, a verdade é que constitui uma ferramenta que permite à criança afastar-se das suas figuras de referência e desenvolver uma existência mais independente. Porque pode ser levado para qualquer lado, proporciona conforto imediato sempre que a ansiedade surge. Logo, a criança fica menos dependente do cuidador.

Os objectos de transição desempenham ainda um papel fundamental na identificação da criança consigo própria e com os outros: com a fralda ou o peluche, ela aprende a representar o "outro", por oposição ao "eu", aprende que aquele objecto é distinto, separado, de si própria, o que é mais um passo na construção da sua autonomia.

Não obstante este importante papel da fraldinha de estimação a verdade é que os pais se preocupam. E preocupam-se porque a relação que a criança estabelece com o objecto se assemelha a uma relação de dependência vai com ele para todo o lado, protesta de uma forma descontrolada se não o tem, se o perde ou se o tentam tirar, recusa um substituto, não se acalma até recuperar a posse.

Tudo neste cenário parece excessivo: a relação da criança com o objecto e a sua reacção à privação do objecto. Daí os receios de dependência. No entanto, esta é uma situação normal e na maioria das situações a criança liberta-se do seu objecto de transição à medida que ganha autonomia emocional. Não há uma idade certa, mas mais cedo ou mais tarde acontece.

Muitas vezes ocorre em simultâneo com a entrada no sistema escolar, quando a própria criança se sente crescida demais para andar com a fralda, o peluche ou a chucha. Há, porém, crianças com maior dificuldade em desligar-se. Precisam da ajuda de pais e educadores, mas essa ajuda deve assumir a forma de colaboração e não de imposição.

Numa primeira fase, há que aceitar que a criança leve o seu objecto de estimação para o infantário, deixando-a usá-lo quando sentir necessidade. Quando já estiver bem integrada e mais segura, pode ser sugerido que guarde o objecto - primeiro numa malinha, por exemplo, que a criança pode ter consigo, depois num local um pouco menos acessível, como o cabide. Mas sempre sem lhe negar o acesso - progressivamente será a criança a ter menos necessidade dessa ponte imaginária com o mundo seguro de casa e da mãe.


Uma gestão difícil

Nem sempre é fácil lidar com a existência de um objecto de transição, mais eis algumas regras que podem ajudar:

• Não retire o objecto sem avisar previamente a criança: mesmo que seja apenas para lavar, nunca o faça às escondidas - converse com a criança, peça-lhe colaboração e explique-lhe que voltará a tê-lo e que, apesar de o cheiro ser diferente, logo ficará igual;

• Se tiver de substituir o objecto, escolha outro igual e coloque-o em contacto com o ambiente da criança - a cama, por exemplo - para que vá adquirindo o mesmo odor e textura, de modo a que a criança não estranhe a mudança;

• Aceite a existência desse objecto como uma etapa natural no desenvolvimento infantil, mas sem o valorizar demasiado;

• Se sentir que a dependência é exagerada, vá diminuindo os momentos em que a criança usa o objecto mas procurando envolver a própria criança nesse processo.



Fonte: FARMÁCIA SAÚDE - ANF

Esquizofrenia: Entre o mundo real e o imaginário



Andreia Pereira

Segundo algumas estimativas, a esquizofrenia afecta cerca de 40 a 60 mil pessoas em Portugal. O estigma e a falta de adesão à terapêutica estão entre as principais causas do insucesso do tratamento. Contudo, se a medicação for cumprida à risca, em 75% dos casos há uma redução das crises.


Em 1911, Eugen Bleuler usou, pela primeira vez, o termo esquizofrenia para definir uma patologia de foro psiquiátrico grave. Esta desordem "caracteriza-se por sintomas positivos (delírios e alucinações), sintomas negativos (falta de vontade e embotamento afectivo) e por quadros de tristeza e desmotivação, acompanhados por problemas de memória e atenção", indica o Prof. João Marques-Teixeira, psiquiatra, professor da Universidade do Porto e director Clínico do Neurobios - Instituto de Neurociências.

De acordo com os dados disponíveis em Portugal, calcula-se que a esquizofrenia atinja entre 0,4 a 0,6% da população, "sem predominância de género". O especialista considera que a eclosão dos sintomas agudos tem, geralmente, início depois da adolescência, entre os 18 e os 24 anos.

Apesar de não se conhecerem as causas desta patologia psiquiátrica, suspeita-se que o aparecimento dos primeiros sintomas se deva a razões genéticas. Contudo, João Marques-Teixeira diz que existem "factores ambientais (físicos, infecciosos, psicológicos, traumáticos e tóxicos, nomeadamente com a administração de substâncias de abuso)" que influenciam, sobremaneira, o surgimento da esquizofrenia.

Normalmente, a doença surge com "alterações na percepção ou na expressão da realidade", muito embora as manifestações mais frequentes sejam as "alucinações visuais ou auditivas". Esta patologia caracteriza-se, ainda, por "delírios persecutórios, desorganização do pensamento e da linguagem, assim como um grande défice social e profissional".


Diagnóstico precoce é meio caminho para sucesso terapêutico

A esquizofrenia altera, por completo, "as rotinas do seio familiar onde o doente está inserido". E, dado o impacto da doença, contribui para um desgaste emocional dos entes mais próximos. Embora em algumas situações o internamento hospitalar seja um meio de tratamento, João Marques-Teixeira admite que, de uma maneira geral, salvo raras excepções de elevada gravidade, "o doente diagnosticado e tratado precocemente pode fazer uma vida praticamente normal".

Contudo, o diagnóstico envolve uma natureza "complexa e longitudinal". Assim, "a melhor estratégia, perante uma alteração grave e súbita de comportamento de um adolescente ou jovem adulto, é pedir o apoio do médico de família ou de um psiquiatra", acrescenta.

Caso a medicação seja iniciada numa fase inicial da doença e sem interrupções, "em 75% dos casos há uma resolução positiva, com um prognóstico favorável na resolução das crises". Mas, para que isto aconteça, é preciso haver um envolvimento e uma psicoeducação do doente e da família.

Para além dos fármacos ("os mais usados, actualmente, dão pelo nome de antipsicóticos atípicos"), decorrentes de avanços científicos que permitiram o desenvolvimento de novas "substâncias eficazes e com menos efeitos acessórios", os tratamentos também implicam "o treino cognitivo e uma reabilitação psicossocial". Porém, e apesar de todos os esforços, os clínicos e a família deparam-se com alguns obstáculos na adesão ao tratamento, já que nem sempre "o doente aceita a patologia (porque não tem consciência da mesma)".

A somar aos factores intrínsecos do doente, "seguem-se as dificuldades de ressocialização" e o estigma da sociedade face à esquizofrenia. "Esta patologia suscita um sentimento de estranheza nas pessoas e induz a uma sensação de perigosidade", o que se constitui um dos motores de discriminação social. "Os doentes com esquizofrenia sofrem, ainda, de falta de apoios no nosso país."



Vida activa favorece recuperação

O filme "Uma mente brilhante", lançado em 2001, relatava a vida de John Forbes Nash, um matemático exemplar que, a dada altura do seu percurso profissional, começa a sofrer de alucinações. O diagnóstico confirma a existência de esquizofrenia, o que o obriga a redefinir o seu rumo da sua vida.


Embora a esquizofrenia se confunda com a genialidade, o psiquiatra João Marques-Teixeira afirma que esta relação não passa de um "mito". Segundo explica, "esta crença resulta, provavelmente, da bizarria comportamental dos génios". Mas a ligação entre a doença e alguns prodígios intelectuais é a "mesma que existe em outras patologias de foro psiquiátrico".


No entanto, sofrer de esquizofrenia também não é sinónimo de ignorância ou de debilidade mental. Um estudo dirigido por João Marques-Teixeira procurou precisamente avaliar a capacidade de aprendizagem destes doentes: "Os programas que facilitem a aquisição de estilos de vida mais saudáveis, em conjunto com a terapêutica e as medidas de natureza psicossocial, promovem uma maior integração social."


Os resultados deste estudo indicam que o grau de satisfação dos doentes face ao papel mais dinâmico que representam na sociedade. "De um modo geral, as variáveis ligadas ao estado emocional e à motivação intrínseca são fundamentais para essa aprendizagem. Tudo o que estimule o doente para uma vida activa e com sentido tem um impacto positivo na evolução da esquizofrenia", resume. Daí que se reforce a importância de um diagnóstico o mais precoce possível. Só assim se pode dar início a um tratamento adequado, que evite "um curso debilitante e com uma crescente insuficiência social".



Fonte: Jornal do Centro de Saúde

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

DOENÇA BIPOLAR: MANIA OU DEPRESSÃO?

Andreia Pereira

Até aos anos 70, a doença bipolar na infância e na adolescência era algo quase inimaginável, por se considerar que os sintomas que a criança manifestava eram próprios da idade. Hoje em dia, sabe-se que esta patologia psiquiátrica pode também afectar as camadas etárias mais jovens.

A doença bipolar na criança surge, normalmente, após a puberdade, após os 11 ou 12 anos, embora haja registos de casos pré-púberes. Segundo alguns estudos, a doença bipolar tem uma componente genética, pelo que "as crianças com parentes de primeiro grau são potenciais candidatos ao desenvolvimento da doença". Estes jovens manifestam alterações de humor, que varia entre a mania (elação do humor) e a depressão.

"O diagnóstico na criança é dificultado pela duração e variação dos episódios, já que, regra geral, não duram os sete dias que são necessário para se determinar um episódio de mania", explica a Dr.ª Paula Correia, pedopsiquiatra do Centro Hospital da Cova da Beira, na Covilhã.

Como a criança pequena não consegue transmitir através da linguagem verbal o que está a acontecer dentro de si, "é difícil para os outros (família e grupo de pares) entenderem o que se está a passar". E isto decorre do facto de haver uma "inconstância do humor", que alterna entre a euforia e a tristeza. Uma criança que sofre de uma doença bipolar pode, inclusive, manifestar sentimentos "megalómanos" face à realidade envolvente num momento, mas, passado algum tempo, sentir-se inferiorizada.

Na maioria dos casos a hiperactividade é um sinal muito frequente. Mas, segundo a pedopsiquiatra, têm de estar presentes outros sintomas como: "a grandiosidade, a fuga de ideias, a elação do humor". Com base nestes elementos consegue-se traçar um diagnóstico "preciso e longitudinal", que é efectuado ao longo do tempo. "É necessário ter em atenção a mudança de comportamento da criança e as alterações no estado mental", esclarece.

Já na adolescência, embora os sintomas sejam semelhantes aos da criança, com a diferença que têm um prolongamento maior no tempo, "há, ainda, o risco de tentativa de suicídio". Para evitar estas situações, para além da terapêutica farmacológica, que consiste na prescrição de estabilizadores de humor, "tem de haver um apoio psicológico dos jovens e da família".

Lidar com a doença

Para a especialista, a família é um ponto de suporte do doente bipolar. "Tem de haver uma retaguarda e uma capacidade de os elementos familiares se unirem", fundamenta a pedopsiquiatra. Embora não "haja fórmulas mágicas" para se agir com uma criança bipolar, "os progenitores devem entender as dimensões da doença".

Esta patologia, em certos casos, pode interferir com o rendimento escolar. Mas, de acordo com Paula Correia, tudo depende da "instabilidade emocional e dos períodos livres de doença". Contudo, cada caso é um caso e não há duas crianças iguais, mesmo aquelas que sofrem de uma doença bipolar.

Se houver períodos isentos de crises, a escola e os colegas podem nem se aperceber de que existe um problema". Apesar das variações de humor, em casos extremos de degradação do estado de saúde, como existência de psicose (delírios ou alucinações como ouvir vozes, ver pessoas que não existem) ou risco suicida, equaciona-se a hipótese de internamento hospitalar.

Capricho da idade?

Apesar de manifestarem alguns comportamentos mais agressivos ou desordeiros, as crises das crianças bipolares não são caprichos da idade. Quem o garante é Dr.ª Ana Isabel Bastos, psicóloga da Associação de Apoio a Doentes Depressivos e Bipolares. Aliás, como garante a terapeuta, acima de tudo, os pais e os familiares mais próximos devem estar do lado da criança, de modo a conseguir explicar-lhe tudo o que se passa dentro de si e à sua volta.
"A intervenção clínica dos profissionais visa chegar até à criança e explicar-lhe o que é a doença. Isto acontece com recurso a jogos, a brincadeira, o jogo, para entendermos o que lhe vai na alma, porque a compreensão de uma criança é diferente de um adulto. E na infância ainda não estão adquiridas todas as competências de linguagem que lhe permitam expressar os sentimentos", assegura a psicóloga.

Dado que a criança passa grande parte do seu tempo na escola, a associação é convidada, em alguns casos, a deslocar-se às instituições de ensino, a fim de os profissionais darem formação aos professores. "Quando os docentes entendem os sintomas conseguem ser mais assertivos no tratamento com o aluno. Quando há um desconhecimento da doença, há uma tendência para catalogar de mal-educada, malcriada e que não respeita a autoridade."

O adolescente, comparativamente à criança, já consegue interrogar os profissionais sobre as suas dúvidas relativamente à doença e à toma da medicação. E, embora sofram de uma desordem bipolar, a psicóloga indica que a doença não lhes retira as crises típicas da idade, até porque "estes comportamentos de rebeldia fazem parte do desenvolvimento normal". Para Ana Isabel Bastos, acima de tudo, um comportamento própria da adolescência distingue-se da perturbação bipolar pela duração e intensidade dos sintomas. "

Compreender a doença
A Associação de Apoio a Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB) dá apoio psicoeducativo, para que os pais e os familiares mais próximos saibam como lidar com uma criança ou jovem com perturbação bipolar. "Os progenitores têm de saber como lidar com os sintomas. Para além disso, devem entender que os comportamentos não dependem da vontade criança."
A partir do momento em que há um acompanhamento psicológico e médico, a medicação consegue fazer com que a criança tenha um comportamento mais estável. E esta situação, de acordo com Ana Isabel Bastos, vai permitir que os pais consigam lidar melhor com os sintomas da doença.

Para mais informações, contacte:
Associação de Apoio a Doentes Depressivos e Bipolares
Morada da Nova Sede da ADEB, Centro de Reabilitação Psicossocial:Quinta do Cabrinha, Av. de Ceuta, n.º 53, Loja F/G, H/I e J1300-125 LISBOATel: 21 854 07 40/8Fax: 21 854 07 49Tlm: 96 898 21 50adeb adeb.pt Horário de funcionamento: De Segunda a Sexta-feira das 10:00 às 13:00 horas e das 14:00 às 18:00 horas.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

DOSSIER: DOENÇA CELÍACA


Inês Moita

A doença celíaca é uma intolerância alimentar permanente ao glúten. É uma doença crónica do intestino que surge em pessoas com predisposição genética para desenvolver a patologia sempre que se ingerem alimentos contendo glúten. A ingestão de glúten vai provocar alterações no intestino que impedem a absorção normal dos nutrientes. As lesões manifestam-se através do achatamento das vilosidades intestinais e na diminuição da sua capacidade de absorção dos nutrientes.

O que é o glúten

O glúten é uma proteína que existe na composição de alguns cereais (trigo, centeio, cevada e aveia). O arroz e o milho não possuem glúten. O glúten funciona como um factor de agressão para o intestino em pessoas geneticamente predispostas, causando um achatamento da mucosa intestinal com atrofia das vilosidades intestinais e diminuição da sua capacidade de absorção (em condições normais as vilosidades do intestino delgado são o principal local onde os nutrientes necessários ao organismo são absorvidos).

Quais são os sintomas característicos da doença celíaca nos adultos

Nos adultos, a doença apresenta-se muitas vezes de forma atípica e em idades diversas, com queixas transitórias e sintomas nem sempre relacionados com o trânsito intestinal:


- Dores ósseas e cãibras;
- Inchaço nas extremidades dos membros;
- Tremores e alteração da sensibilidade dos pés e mãos;
- Alterações do ciclo menstrual/abortos sem motivo aparente/infertilidade;
- Prisão de ventre/diarreia;
- Cansaço crónico;
- Aftas recorrentes;
- Anemia, diminuição de cálcio, magnésio e potássio.


Como se manifesta habitualmente a doença celíaca nas crianças

A doença celíaca pode manifestar-se em qualquer altura após a ingestão de alimentos com glúten.
O seu aparecimento nas crianças é mais frequente nos dois primeiros anos de vida, mas a doença pode manter-se assintomática ou difícil de diagnosticar até à idade adulta.


Os sintomas mais frequentes na criança são:

- Diarreia crónica ou intermitente;
- Prisão de ventre;
- Atraso no crescimento;
- Aumento de peso insuficiente;
- Irritabilidade/tristeza;
- Vómitos.

Para além disso, a criança pode apresentar baixa estatura, emagrecimento, barriga distendida, pele seca e pálida e semblante triste. As suas fezes são ricas em gordura (uma vez que é mal absorvida), brilhantes, fétidas, volumosas e pouco consistentes.

Como se diagnostica


Sempre que se verificarem sintomas suspeitos da doença o médico deve pedir análises ao sangue e às fezes, que confirmam a existência de má absorção dos alimentos e pesquisar a existência de anticorpos no sangue característicos da doença celíaca:

- Anti-Gliadina;
- Anti- Endomisio;
- Anti-Transglutaminase (o mais específico).

No caso de estes exames se apresentarem positivos, a probabilidade de se tratar de uma doença celíaca é elevada, mas o diagnóstico necessita sempre de ser confirmado através de biopsia ao intestino, para que se possa identificar possíveis lesões intestinais típicas da doença.


Qual o tratamento


Actualmente, o único tratamento para a doença celíaca é uma dieta rigorosa sem glúten para toda a vida.


O tratamento de base da doença celíaca é a dieta sem glúten, tão rigorosa quanto possível, e mantida durante toda a vida.

Numa dieta sem glúten devem ser excluídos todos os alimentos que contém trigo, cevada, aveia e centeio. Os únicos cereais permitidos são o milho e o arroz.

Para que a dieta seja rigorosa o doente deve analisar sempre a composição dos alimentos, particularmente os de confecção industrial. Deve ainda ter presente que alguns medicamentos têm na sua composição excipientes que contêm glúten.

Para ajudar os doentes a identificar os alimentos comercializados que estão isentos de glúten a Associação de Doentes Celíacos fornece listas actualizadas destes alimentos.

Na fase inicial do tratamento, se a desnutrição for importante, alguns doentes necessitam de suplementos de vitaminas e minerais.

Embora seja raro, nas formas mais graves da doença poderá haver necessidade de instituir tratamentos complementares da dieta.


Alimentos permitidos na dieta sem glúten

- Peixe, carne e aves;
- Ovos, leite e iogurtes;
- Arroz, batata, frutos e verduras frescas em geral;
- Cereais de milho e arroz;
- Pão de milho e outros pães, bolos, bolachas e biscoitos confeccionados com farinha glúten (à venda nas casas de produtos dietéticos).

Alimentos a evitar na dieta sem glúten

- Derivados de trigo, centeio, cevada e aveia;
- Pão, bolos, biscoitos, doces de pastelaria, tostas e bolachas;
- Cereais de pequeno-almoço que contém trigo;
- Papas para bebés com excepção das de milho e arroz;
- Massas e pão ralado;
- Sopas de pacote, espessantes para molhos, cubos de caldo, caril em pó, molhos e refeições pré-confeccionadas;
- Chocolate, gelados, pudins, alguns queijos.



Fonte: MediaHealth Portugal

sábado, 17 de Outubro de 2009

VACINA - EFEITOS SECUNDÁRIOS

CÉLULAS ESTAMINAIS "FABRICAM" BYPASS BIOLÓGICO


Rita Hipólito

Investigadores norte-americanos identificaram um grupo de células estaminais capazes de fabricar novas artérias coronárias, abrindo assim portas a novas formar de tratar a arteriosclerose, uma das principais doenças cardiovasculares. As doenças cardiovascularessão a principal causa de morte no mundo ocidental. De acordo com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, só em Portugal, afectam meio milhão de pessoas.


A descoberta agora anunciada altera o paradigma de tratamento destas patologias. Os investigadores do Brigham and Women's Hospital de Boston catalogaram uma nova classe de células estaminais, as células progenitoras vasculares coronárias (CPVC).

A pesquisa em modelos animais, sugere que face a um bloqueio das artérias, estas células actuam construindo um bypass biológico. Uma alternativa de tratamento para doentes com problemas como arteriosclerose crónica e cardiomiopatias isquémicas, que ocorrem quando as artérias que fornecem sangue e oxigénio ao coração estão bloqueadas.

"Até agora, a investigação na área das células estaminais tem estado orientada para a reparação dos danos causados nos tecidos cardíacos, com bons resultados. Esta nova descoberta vem abrir portas a novos rumos, alterando dramaticamente o objectivo da terapia celular no coração isquémico; a prevenção de lesões do miocárdio torna-se o objectivo da terapia celular, em vez da reparação parcial de danos já estabelecidos" explica Patrícia Melo, Administradora Operacional da Future Health.

O recurso às células estaminais do sangue do cordão umbilical criopreservadas já é utilizado com sucesso no tratamento de 97 doenças. O seu potencial único permite ajudar a regenerar células danificadas e os respectivos órgãos, na terapêutica de doenças graves como deficiências medulares ou metabólicas, leucemia, imunodeficiências, linfomas, anemias potencialmente fatais e determinadas patologias cardíacas. As células estaminais do cordão umbilical já foram utilizadas, com sucesso, em mais de 20 mil transplantes nos últimos 20 anos.

A Future Health, com delegação em cerca de 15 países, é o primeiro banco familiar de sangue do cordão umbilical no Reino Unido (RU) a receber uma acreditação total como banco de tecidos humanos pela Medicines & Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA), do Departamento de Saúde do RU. Recebe cerca de 1000 amostras por mês, uma média de 30/40 por dia, provenientes de 40 países. Actua nas áreas da recolha, processamento e armazenamento das células estaminais do sangue cordão umbilical (hematopoiéticas) e das células estaminais do tecido do cordão umbilical (mesenquimais).

Fonte: Grupo Inforpress