“Entre 1995 e 2005, o número de pessoas com 65 e mais anos aumentou cerca de 42%, com 80 e mais anos cerca de 66,6% e com 85 e mais anos cresceu cerca de 93,5%. Em 2050, um em cada cinco mil portugueses terá 100 ou mais anos e duplicará a percentagem de idosos em Portugal.”Para Inês Guerreiro, coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), “a sociedade portuguesa começa a estar consciente que, vivendo mais tempo, as pessoas estão mais vulneráveis perante as dificuldades que vão surgindo no seu percurso de envelhecimento, a probabilidade de se juntarem várias patologias aumenta, bem como a de vir a desenvolver dependência de outrem, e que a qualidade de vida, em contexto de dependência, pode ser muito baixa”.
Por esta razão, “o Governo assumiu que os cuidados continuados integrados são uma prioridade política ao mais alto nível”, refere a responsável na entrevista que concedeu ao Jornal do Centro de Saúde, que prevê serem disponibilizadas mais 17 mil camas para cuidados continuados até 2016.
Qual o panorama actual dos cuidados continuados integrados e os objectivos para 2007 e 2008?Este ano, vamos ter, no total em unidades de internamento, 2130 lugares e, ainda, mais cerca de 600 em situação de finalizar obras de adaptação até meados de 2008.
Agora que os cuidados paliativos passaram a integrar a RNCCI e a constituir respostas especializadas que, mesmo para além desta, irão articular-se com um grupo técnico de especialistas credíveis de várias vertentes de cuidados, incluindo os agudos, onde têm já muita experiência, pretendemos, até final de 2008, atingir os objectivos previstos no Quadro I
Quadro I
Um terço dos hospitais com equipas intra hospitalares de suporte em cuidados paliativos (o nível I que o Plano refere) ≈ 30
» 8 Unidades de média e longa duração
» 3 Unidades de agudos em IPOs ou hospitais universitários
» 5 Equipas comunitárias de suporte em cuidados paliativos
Sei que ainda não conseguimos cobrir todas as necessidades desta população alvo, em geral portadora de doenças crónicas com perda transitória ou prolongada de autonomia, ou com dificuldade em manter a sua dignidade tanto na vida como na morte. A RNCCI tem um período de implementação entre 2006 e 2016. Estamos ainda a dar os primeiros passos.
Para 2008, as nossas prioridades dirigem-se ao alargamento da RNCCI numa perspectiva de equilibrar a cobertura territorial e populacional, introduzir e desenvolver linhas de cuidados: cuidados paliativos, unidades de dia, introduzir e desenvolver unidades para problemas e grupos de utentes diferenciados, saúde mental, utentes com problemas longos e definitivos e com grande complexidade clínica, utentes com problemas recorrentes de acidentes vasculares cerebrais, utentes com demência e utentes jovens politraumatizados e com dependência.
Também pretendemos promover a consolidação da RNCCI numa perspectiva de sistematização do método de avaliação integral, ou seja, a compreensão de que o modelo estritamente biomédico nas pessoas com doenças de evolução prolongada, com incapacidades e problemas de rede social e familiar, não resolve sequer o problema do episódio agudo, porque se perde imediatamente após a saída do hospital.
Quais os objectivos até 2016?
Até 2016, prevê-se a inserção de mais de 2 900 camas da tipologia de cuidados de convalescença, 3 200 camas da tipologia de média duração e manutenção, 8 000 de longa duração e manutenção, 2 400 lugares de unidade de dia e promoção da autonomia, de mais de 900 camas de cuidados paliativos, a existência de equipas de gestão de altas em todos os hospitais do território continental e de cuidados continuados integrados em todos os centros de saúde. Esses são os nossos objectivos e não nos desviamos.
Os cuidados continuados integrados constituem a resposta ao envelhecimento da população?Entre 1995 e 2005, o número de pessoas com 65 e mais anos aumentou cerca de 42%, com mais de 80 anos aumentou 66,6% e com 85 e mais anos cerca de 93,5%. Em 2050, um em cada cinco mil portugueses terá 100 ou mais anos e duplicará a percentagem de idosos em Portugal.
A sociedade portuguesa começa a estar consciente que, vivendo mais tempo, as pessoas estão mais vulneráveis perante as dificuldades que vão surgindo no seu percurso de envelhecimento, a probabilidade de se juntarem várias patologias aumenta, bem como a de vir a desenvolver dependência de outrem, e que a qualidade de vida em contexto de dependência pode ser mesmo muito baixa.
As orientações de actuação do Ministério da Saúde consagram a promoção de um melhor diagnóstico das necessidades de saúde das pessoas idosas e a melhoria do conhecimento dos profissionais de saúde relativamente aos que prestam apoio e cuidados às pessoas idosas e às suas famílias.
Envelhecer não é um problema, mas é um grande factor de risco e pode ser factor de discriminação. A sociedade e os governos têm de ter a consciência da prioridade na prevenção da doença para caminharmos para um envelhecimento saudável.
O Governo assumiu que os cuidados continuados integrados são uma prioridade política ao mais alto nível.
Como podem os idosos aprender a envelhecer?
O envelhecimento é abordado sobretudo na perspectiva da autonomia e do bem-estar das pessoas idosas, da promoção efectiva de uma sociedade para todas as idades, na qual os mais velhos possam desfrutar plenamente o seu potencial de saúde.
O envelhecimento é um processo que se prepara sobretudo a partir do conhecimento dos comportamentos do nosso organismo e dos estilos de vida que desenvolvemos ao longo do nosso percurso, considerando que cada um de nós é o primeiro recurso para a promoção da sua saúde.
A prevenção deverá ser a nossa principal preocupação para a que concorre, antes de mais, a forma como participamos na vida da comunidade, ou seja, a manutenção e desenvolvimento de interesses e projectos de vida e de futuro. Os outros não podem ser apenas aqueles que tratam de nós. Os outros podem ser os que nós ajudamos a viver melhor. Ou seja, os filhos, os netos, amigos, associações voluntárias, etc.
Ainda recentemente, conforme publicado por um semanário de referência, um geriatra alemão afirmava muito pragmaticamente, aquilo que todos nós pensamos: vivemos num mundo de contradições, cheio de paradoxos dominado pelo mito da eterna juventude e do corpo cada vez mais perfeito. Por outro lado, nunca se viveu tanto tempo, nem nunca houve tantos idosos. A esperança média de vida é praticamente o dobro da que era nos anos de 1920 em Portugal. Fonte: Jornal do Centro de Saúde