MÁRCIO ALVES CANDOSOMutação genética provoca aumento de energia
Quando em 1942 os estúdios cinematográficos de Paul Terry criaram o Super-Rato, dizem as crónicas que o personagem de desenhos animados não ambicionava mais do que ser uma caricatura do famoso Super-Homem. Mas hoje a realidade prepara-se para - se não ultrapassar - pelo menos igualar a ficção. Investigadores da Universidade de Case Western, no Ohio, acabam de publicar um artigo científico no qual dão conta das suas pesquisas de cinco anos, que lhes permitiram "inventar" um rato extraordinariamente mais forte do que os seus pares, através da manipulação de uma enzima presente igualmente no corpo humano.
"O comportamento deles é muito parecido, em termos metabólicos, ao de um Lance Armstrong a subir os Pirenéus", adianta Richard Hanson, director da pesquisa, em entrevista ao Journal of Biological Chemistry + . "Utilizam ácidos gordos para fabricar mais energia muscular e produzem muito pouco ácido láctico", explica o professor de Bioquímica + . O ácido láctico é o produto libertado pelos músculos devido ao Cansaço + , e que impede a continuidade do rendimento do Exercício físico + .
O "truque" utilizado pelos investigadores consistiu na manipulação genética da carboxicinase do fosfo- enolpiruvato (PEPCK-C), introduzindo quantidades acima do normal deste enzima no gene que domina a formação do esqueleto dos ratos. Em consequência disso, estes animais Transgénico + s concentram PEPCK-C nos músculos até nove unidades por grama, quando um rato normal não excede as 0,08 unidades.
A manipulação genética permite aos super-ratos, em condições de paridade com outros normais, correr 32 minutos em passadeira, contra apenas 19 dos seus "iguais", a uma velocidade superior. No final, a medição de ácido láctico dos ratos não manipulados era a prevista, enquanto a dos super- -ratos era inferior à estimada para o esforço despendido. O índice de actividade dos ratos aditivados com PEPCK-C chega a ser sete vezes superior ao dos restantes. Os animais Transgénicos + , por outro lado, comem mais 60% que os vulgares, mas mantêm-se magros e em boa forma.
A enzima PEPCK-C faz parte do processo de metabolismo da glicose, encontrando-se nos rins e Fígado + dos mamíferos. A sua reacção química provoca uma grande libertação de energia. A existência em proporções menores que o normal é um dos responsáveis pela anemia. Em quantidades muito altas, no entanto, é tido como responsável por uma das variantes da Diabetes + .
Os ratos manipulados da Case Western vivem mais que os seus pares. Por outro lado, foi possível constatar que as fêmeas procriam até cerca dos 2,5 anos de idade, quando em condições normais a fertilidade não ultrapassa o primeiro ano de vida. Num comunicado emitido pela universidade, a líder de campo da investigação, Parvin Hamiki, refere que "desde muito jovens os ratos PEPCK-C mexiam-se muito mais nas suas jaulas que os outros, sendo bastante fácil distingui-los a olho". No reverso da medalha, foi-lhes observada uma maior agressividade.
Os autores do estudo concluíram que a presença em doses fortificadas do enzima PEPCK-C repõe os níveis energéticos no corpo dos mamíferos e aumenta a sua longevidade. Pode ser que agora, em vez de gozar com o Super-Homem, o super-rato ajude a descobrir novos horizontes para que se atinja um velho anseio duplo da humanidade: envelhecer com mais saúde, morrer mais tarde.
Fonte: Diário de Notícias de Lisboa
Fonte: Diário de Notícias de Lisboa