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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

GRIPE: MAIS DE METADE RECORRE A TRTAMENTOS CASEIROS

Mais de metade dos portugueses recorreu no ano passado a tratamentos caseiros para combater a gripe e 38% fizeram-no como primeira opção, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge + .
Quando confrontados com uma gripe, 51,9% dos portugueses recorreram em algum momento a tratamentos caseiros (por vezes em conjugação com outras medidas) e 50,6% foram a uma consulta médica.
Além disso, os tratamentos caseiros foram adoptados como primeira opção por 38% dos inquiridos. Depois surge a procura da consulta médica (24,4%) e a auto medicação (20,1%).
Numa comparação entre o primeiro estudo feito nesta área, em 1999/2000, e o actual constatou-se um aumento da utilização de tratamentos caseiros (de 46 para 51,9%) e do recurso a profissionais, especialmente a aconselhamento com o farmacêutico (14,9 para 27,5%).
As opções de auto-medicação e aconselhamento com terceiros apresentaram uma ligeira diminuição na comparação dos dois estudos e sobre os que não fizeram nada a percentagem diminuiu de 18,6% para 1,6% em 2006/07. «Parece, assim, ter aumentado a percentagem dos que adoptam as várias práticas», refere o estudo.
O tratamento caseiro foi mais utilizado no Algarve (47,9%) e pelas mulheres (42,1%), notando-se também uma maior preferência nas que referiam sofrer de doenças crónica cardíaca e renal.
A maioria dos utilizadores dos tratamentos caseiros tinha mais de 65 anos, o ensino secundário e correspondia a população não activa.
A consulta médica, por seu lado, foi primeira opção principalmente nas regiões do Alentejo e menos no Algarve. «Poder-se-á questionar se a acessibilidade a serviços de saúde poderá de algum modo justificar as diferenças regionais encontradas», refere o estudo.
As pessoas com menor nível de instrução optaram mais por consultar um médico, o que poderá ser justificado com «uma menor capacidade na adequação da procura de cuidados e/ou a relação, por exemplo, com uma maior necessidade de formalizar a baixa no trabalho».
Dos que recorreram a consulta médica, a maioria foi ao centro de saúde e metade destes foi observada pelo seu
Médico de família + . Cerca de um terço procurou um serviço de urgência e apenas um doente foi observado em casa.
«Estes resultados poderão merecer alguma reflexão, estando em causa uma doença com especificidades clínicas bem conhecidas, nomeadamente no que diz respeito a contágio», refere o texto da autoria de Maria João Branco e Baltazar Nunes.
Os que procuraram aconselhamento em farmácias fizeram-no em média um dia mais cedo, após o aparecimento dos sintomas, do que os que recorreram ao médico, acrescentam os números de 2007.
O inquérito do Departamento de Epidemiologia do
INSA + concluiu que a taxa de ataque de gripe auto declarada pelas famílias contactadas, num total de 2.788 pessoas, foi de 21%.
Notaram-se maiores percentagens de casos de gripe (segundo definição clínica) em mulheres, pessoas dos 18 aos 44 anos, e com maior nível de instrução, nomeadamente com o ensino secundário, e os mais activos.
Na estatística de gripe auto-declarada as percentagens mais altas encontram-se nas mesmas categorias.
Consideram-se casos de gripe auto-declarados perante início repentino de sintomas e febre e pelo menos um dos seguintes itens: tosse, tremores, dores generalizadas, inflamação da mucosa nasal e faríngea, fraqueza, contacto próximo com doente com gripe.
Em cada um dos agregados, apenas um indivíduo respondeu ao inquérito sobre a sua própria situação e da restante família. Num auto-diagnóstico, 25% das 952 pessoas que responderam declaram ter tido gripe.
Quando se aplicaram os critérios de definição clínica de caso de gripe os números desceram para 7% (66 indivíduos dos que responderam).
Fonte: Diário Digital