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quinta-feira, 23 de abril de 2009

COLESTEROL: O QUE PRECISAMOS DE SABER E O QUE DEVEMOS FAZER


Dr. Manuel Carrageta



O colesterol é uma gordura essencial existente no nosso organismo, que tem duas origens: uma parte produzida pelo próprio organismo, em particular o fígado, e outra parte obtida através da alimentação, em particular pela ingestão de produtos animais, como a carne, os ovos, e os produtos lácteos.






Quando o colesterol está em excesso, deposita-se nas paredes arteriais, constituindo placas que reduzem o calibre dos vasos, dificultando o afluxo de sangue aos órgãos e tecidos do organismo.









Tipos de colesterol





Lipoproteínas de baixa densidade (LDL): são vulgarmente conhecidas como "mau"colesterol, por ser aquele que se deposita na parede das artérias, provocando aterosclerose. Quanto mais elevadas forem as LDL no sangue, maior é o risco de doença cardiovascular;





Lipoproteínas de alta densidade (HDL): também conhecidas por colesterol "bom", que tem como papel a limpeza das artérias, pelo que quanto mais altas forem, menor risco há de surgir doença cardiovascular;





Triglicéridos: são um outro tipo de gordura que circula no sangue ligada às VLDL. Uma alimentação excessivamente rica em calorias, açúcares ou álcool eleva os triglicéridos, aumentando o risco cardiovascular.









Factores de Risco





Um elevado número de factores influenciam os níveis de colesterol no sangue;





Dieta: o consumo excessivo de gordura saturada eleva os níveis de colesterol. Para os reduzir deve-se evitar o consumo de gorduras de origem animal, como as carnes gordas, o presunto, o queijo, a manteiga, as charcutarias, a fastfood, etc.;





Peso corporal: ter excesso de peso aumenta o colesterol. Controlar o peso reduz os níveis de colesterol das LDL e tem ainda a vantagem de elevar as HDL;





Actividade física: o exercício regular baixa o colesterol das LDL e sobe as HDL. Aconselha-se a prática de 30 minutos diários de actividade física, como por exemplo, a marcha em passo rápido;





Hereditariedade: os nossos genes determinam em parte a quantidade de colesterol que cada organismo produz. Há famílias em que o colesterol é elevado.









Colesterol Elevado





Um estudo da Fundação Portuguesa de Cardiologia mostra que cerca de 2/3 da população adulta portuguesa têm o colesterol elevado. No entanto, o colesterol elevado não causa sintomas. Quando estes ocorrem podem surgir sob a forma de dor no peito por angina ou enfarte do miocárdio. Estamos perante uma patologia grave em que a prevenção é fundamental.






As sociedades científicas europeias recomendam, como valores normais, um colesterol inferior a 190 mg/dl quando se trata da população saudável.





No caso dos doentes com patologia coronária, ou outra doença aterosclerótica (acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, etc.), diabetes ou insuficiência renal, recomendam-se valores de colesterol inferiores a 175 mgldl.




Já para o colesterol das LDL, os valores recomendados são respectivamente inferiores a 115 mgldl para a população em geral e a 100 mg/dl nos doentes de alto risco.





Alguns estudos recentes, com destaque para o Asteroid Trial mostram que nos doentes de alto risco, como é o caso dos doentes coronários, há vantagem em atingir níveis de LDL inferiores a 70 mg/dl para assegurar uma maior protecção cardiovascular e até tornar realidade o grande sonho da regressão da aterosclerose.





Um trabalho recente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, ainda em curso junto dos utentes dos Centros de Saúde (Projecto Coração Seguro), mostra que cerca de 35% dos doentes, apesar de estarem a fazer terapêutica para redução do colesterol, não estão controlados, ou seja não cumprem os objectivos estabelecidos pelas sociedades científicas europeias.





No que respeita às HDL, níveis inferiores a 40 mg/dl e de trigliceridos superiores a 150 mg/dl conferem risco cardiovascular acrescido. Por outro lado, quanto mais elevadas forem as HDL menor é o risco de doença cardiovascular.









Tratar o colesterol alto





O objectivo do tratamento é diminuir o risco de doença cardiovascular, através da redução do colesterol das LDL e subida das HDL.





É importante referir que o controlo dos níveis de colesterol deve assentar numa dieta saudável rica em fibra vegetal e pobre em gorduras saturadas e colesterol. O controlo do peso, a actividade física regular e não fumar são companheiros indispensáveis da dieta.





O recurso a medicamentos, quando necessários, deve ser decidido e acompanhado pelo médico assistente, que leva em conta, não só os valores do colesterol, como também o risco global, determinado com base na idade do doente, no sexo, na pressão arterial, na HDL e no tabagismo.









Reduzir o colesterol e o risco de doença cardiovascular





Algumas medidas são muito úteis:





Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e colesterol, nomeadamente os produtos animais como a carne vermelha e os produtos lácteos não desnatados;





Praticar regularmente exercício. A actividade física aumenta o colesterol das HDL, para além de ajudar a controlar o peso, a diabetes e a pressão arterial, factores de risco importantes de doença cardiovascular;





Não fumar: para além de toda uma série de malefícios para a saúde, o tabagismo desce o colesterol das H DL. Ao deixar de fumar as HDL voltam a subir;





Tomar a medicação prescrita pelo médico.









Dr. Manuel Carrageta,
Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC)









Fonte: Saúde em Revista