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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

DIABETES: AJDP REIVINDICA COMPARTICIPAÇÃO PARA BOMBA DE INSULINA

A Associação dos Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) reivindicou hoje, numa acção que assinalou o início da semana do diabético, a comparticipação das bombas de insulina em Portugal.
«Somos o único país da Europa sem qualquer comparticipação para as bombas de insulina», disse à Lusa o presidente da AJDP, Paulo Madureira, que acrescentou que a situação ideal seria uma «comparticipação de 100%, como acontece em Espanha, mas qualquer ajuda seria bem-vinda».
O responsável explicou também que o tratamento da diabetes através da bomba de insulina representa para o Estado, em termos de comparticipação, um custo mais avultado do que a presente situação de ajudas na compra de insulinas, mas a longo prazo essa ajuda pode traduzir-se numa redução nas despesas de saúde com os diabéticos.
«Se os jovens diabéticos tiverem apoio do Estado em relação às bombas de insulina, um aparelho que lhes permite ter um maior controlo sobre a doença e sobre a sua vida, a longo prazo isso acabará por se traduzir numa redução dos gastos do Estado com complicações associadas a um estado avançado da doença, como a cegueira ou a amputação de membros», afirmou Paulo Madureira, lembrando que é do interesse do Estado tornar os indivíduos mais válidos para a sociedade.
A bomba de insulina custa aproximadamente 3.500 euros, dependendo do modelo e fabricante, mas, como esclarece o presidente da AJDP, este seria «um investimento único», uma vez que o aparelho pode durar uma vida inteira.
«Ao custo da bomba de insulina é preciso juntar uma mensalidade de cerca de 150 euros para consumíveis necessários à sua utilização, como os cateteres», explicou Paulo Madureira.
Para chamar a atenção para os elevados custos do tratamento da diabetes e para a melhoria na qualidade de vida dos diabéticos que representa a utilização de bombas de insulina, a AJDP ofereceu na acção promovida hoje duas bombas a jovens diabéticos carenciados.
De acordo com o comunicado emitido pela associação a propósito desta iniciativa, a bomba de insulina é um pequeno dispositivo electrónico que contém um reservatório com insulina de acção rápida e que ligada a um tubo fino conduz a insulina até um cateter colocado debaixo da pele.
Este dispositivo médico permite acabar com as múltiplas injecções diárias e em várias picadas diárias, basta uma de 3 em 3 dias.
Paulo Madureira destacou a liberdade que o uso das bombas representa para os jovens doentes e também para os seus pais.
«Muitos educadores e professores não aceitam a responsabilidade de ministrar insulina a crianças e jovens diabéticos, o que leva a que os pais destes doentes tenham que fazer várias deslocações diárias para dar as injecções», explicou o presidente da AJDP.
A propósito da semana do diabético, uma iniciativa da ADJP que hoje começa e que se prolonga até dia 14 de Novembro, a associação tem programadas várias acções.
Na próxima sexta-feira promove uma sessão de esclarecimento no Centro Comercial das Amoreiras, subordinada ao tema «alimentação», dirigida à população em geral.
Na terça-feira, dia 13, uma jovem diabética de 14 anos dará uma aula a figuras públicas com o objectivo de explicar a diferença entre diabetes de tipo I e tipo II.
No dia 14 de Novembro, Dia Mundial da Diabetes, a AJDP promove rastreios em todo o país com o intuito de alertar as pessoas para a importância do diagnóstico precoce.
Em Lisboa, os rastreios serão feitos nas estações de Metro do Campo Grande, Alameda e Baixa-Chiado.
Segundo os dados da Federação Internacional da Diabetes, a diabetes afecta 246 milhões de pessoas a nível mundial e prevê-se que este número atinja os 380 milhões em 2025.
Todos os dias são diagnosticadas 200 novas casos de crianças com diabetes tipo I e estima-se que, em todo o mundo, mais de 440 mil crianças com menos de 14 anos têm diabetes tipo I.
Em Portugal existem cerca de 650 mil portugueses diagnosticados com diabetes e estima-se que 65 mil portugueses sejam diabéticos tipo I, o tipo de diabetes que provoca dependência de insulina.
Fonte: Diário Digital / Lusa