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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

DIGESTÃO PODE SER AFECTADA » QUANDO SE MASTIGA AO RITMO DA FAST FOOD

Paula Cravina de Sousa
O ritmo acelerado do dia-a-dia faz com que o almoço se faça em meia hora, entre duas dentadas e um telefonema rápido. No entanto, o hábito de mastigar e comer rápido é muito prejudicial para a saúde. A correria do quotidiano obriga, muitas vezes, a refeições solitárias e rápidas, pressionadas pelo tempo, «metidas» no intervalo entre a ida ao banco e o stress de chegar a horas ao trabalho. Mas este hábito tem consequências nefastas para o organismo.
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia, Dr. Leopoldo Matos, afirma que o acto de mastigar rápido tem duas consequências imediatas. Ao nível químico, «o indivíduo não completa a mastigação e dá-se uma deglutição precoce, não permitindo o tempo de permanência suficiente dos alimentos na boca para que a saliva actue como deve nos primeiros fenómenos químicos para que se processe uma boa digestão». Ao nível mecânico, a mastigação não se completa «e a fragmentação necessária a uma boa digestão não se faz, pelo que podem daí surgir problemas digestivos».
«O não interromper a refeição para conversar ou para saborear a comida, o não fazer um intervalo descansado, com algum tempo corresponde a uma perda importante de qualidade de vida», considera Leopoldo Matos.
O especialista alerta também para o facto de uma refeição rápida levar, muitas vezes, à prática de uma alimentação incorrecta: «As pessoas procuram comida de fácil apreensão, que não demore muito tempo a mastigar nem leve muito tempo a preparar».
Nota-se, então, a adopção de uma alimentação rica em hidratos de carbono e pobre em legumes e a procura pelos fritos em detrimento dos grelhados ou cozidos.
«Dificilmente a refeição é mais completa, o que acaba por dificultar a digestão. Preferem-se os salgados em lugar da sopa, por exemplo», refere o especialista, frisando que este comportamento «pode ter repercussão na obesidade e dislipidemia».No entanto, o vice-presidente da sociedade afirma que «a maioria dos portugueses, por regra, come bem, já que a dieta praticada é ainda muito próxima da mediterrânica. A excepção são mesmo os habitantes urbanos, que se converteram e adoptam cada vez mais o fast food».

Fases da digestão
Numa primeira fase, ainda na boca, os alimentos são triturados pelos dentes, enquanto são envolvidos pelas secreções das glândulas salivares. Quando são engolidos, os alimentos passam pelo esófago, que vai dar ao estômago. É no estômago que são processados pelas enzimas gástricas e pelo ácido clorídrico.
Na fase seguinte, no intestino delgado ou duodeno, os sucos digestivos produzidos pelo pâncreas e pela bílis – os ácidos biliares e pancreáticos – transformam os alimentos em aminoácidos, açúcar e gordura, que vão alimentar o organismo.
No intestino grosso, os nutrientes não aproveitados são armazenados e sujeitos à fermentação das bactérias intestinais. Posteriormente, são eliminados nas fezes, finalizando a digestão.
Para que todo este processo se faça normalmente e evitar as más disposições ou a sensação de estômago demasiado cheio, é necessário ter a noção que a digestão começa logo na mastigação.
De acordo com Leopoldo Matos, «cerca de 10% da população tem durante a sua vida problemas relacionados com úlceras ou com a digestão».

Bons hábitos, boa digestão
Eis alguns conselhos para uma boa mastigação e digestão:
– Mastigar bem os alimentos e fazer refeições ligeiras sem ceder à tentação das sanduíches e hambúrgueres;
– Tentar mastigar cada porção de comida pelo menos 30 vezes e pousar os talheres entre cada garfada. Estes gestos fazem com que coma mais lentamente e se sinta saciado mais cedo, ao invés de se comer tão depressa, pois leva a que não se preste atenção às quantidades ingeridas;
– Beber água sem gás durante e nos intervalos das refeições;
– Os alimentos crus e frutos ácidos devem ser ingeridos com moderação;
– O consumo de café, chocolate, álcool deve ser limitado;
– Não comer muito à noite, sobretudo antes de se deitar;
– Não fazer as refeições a ver televisão e evitar ambientes ruidosos. Atender chamadas telefónicas é outro gesto a evitar enquanto se faz uma refeição;
– Tentar utilizar todos os dentes durante a mastigação dos alimentos;
– Se possível, fazer uma caminhada breve depois de comer.