A vacina contra o vírus que pode provocar cancro do colo do útero vai ser gratuita para as jovens com 13 anos a partir de Setembro de 2008, anunciou, ontem, o ministro da Saúde.
Em Portugal são comercializadas duas marcas de Vacinas + contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), que pode provocar cancro do colo do útero, mas a sua compra é integralmente suportada por quem opta pela sua toma.
De acordo com as recomendações da Comissão Técnica de Vacinação e da Direcção Geral de Saúde (DGS), em 2008, serão vacinadas as raparigas nascidas em 1995, em 2009, as que nasceram em 1996 e, em 2010, as jovens que nasceram em 1997.
Entre 2009 e 2011, está ainda previsto vacinar as raparigas que, então, tenham 17 anos.
A vacina que protege contra o HPV deve ser tomada antes da iniciação da vida sexual, mas a DGS admite que é difícil definir essa idade.
Na sessão de apresentação da inclusão da vacina contra o HPV no Plano Nacional de Vacinação, também o ministro da Saúde, Correia de Campos + , considerou que a definição da idade em que se inicia a vida sexual é uma matéria difícil, mas que irá começar a ser estudada em Portugal.
De acordo com a sub-directora-geral de Saúde Graça Freitas as propostas da vacina do HPV deverão revistas dentro de três anos.
Esta vacina deverá abranger em 2008 cerca de 50 mil adolescentes, o que significa para o Estado um custo de 15 milhões de euros, que deverá duplicar para 30 milhões em 2009.
A par da vacinação, a DGS vai lançar um programa de rastreio universal para todas as mulheres entre os 25 e os 64 anos.
Segundo um estudo recente, mais de 50 por cento das mulheres portuguesas nunca fizeram o rastreio ao HPV, o que pode ser feito através de uma simples citologia em qualquer Centro de Saúde.
Actualmente, a região Centro é a única do país a ter um programa de rastreio efectivo, que a DGS pretende alargar a todo o País a partir do final do ano."A filha fará a vacina enquanto a mãe faz o rastreio""A filha fará a vacina enquanto a mãe faz o rastreio de cinco em cinco anos", afirmou o director-geral de Saúde, Francisco George + .
Será ainda criado um sistema que permita seguir os resultados das mulheres já rastreadas e que consiga interpretar melhor o que se passa no País em termos de morbilidade e mortalidade.
A sub-directora-geral de Saúde Graça Freitas vincou a necessidade de dar formação aos profissionais de saúde para a realização de rastreios: "se o rastreio não tem funcionado bem, metade da culpa será das mulheres e a outra metade será dos profissionais de Saúde".
Com a vacinação e o programa de rastreio, as autoridades de saúde esperam conseguir a longo prazo uma redução de cerca de metade na mortalidade por cancro do colo do útero.
Actualmente, há em Portugal cerca de 900 casos anuais desta doença, que é responsável por cerca de 300 mortes por ano.
Na Europa, o cancro do colo do útero é a segunda causa de morte entre as mulheres jovens.
Fonte: JM