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Dr. La Fuente de Carvalho
A disfunção eréctil ( DE ) é, nos dias de hoje, um problema de saúde pública com repercussão na vida pessoal, afectiva e social dos doentes, com prejuízo muito marcante na qualidade de vida.
A disfunção eréctil ocorre, frequentemente, em homens a partir dos 50 anos, pelo que as dificuldades de erecção podem ser a primeira manifestação duma doença vascular coronária. Neste sentido, a importância do diagnóstico precoce da disfunção eréctil, bem como noutra doença, vai permitir um tratamento mais eficaz e, eventualmente, a recuperação total do doente.
As causas
O principal mecanismo da disfunção eréctil é vascular, ligado a fenómenos de aterosclerose das artérias penianas, no entanto, em alguns casos, o efeito secundário de alguns medicamentos, como anti-hipertensores ou anti-depressivos, podem reflectir-se na perda de rigidez na erecção.
Assim, o doente depois de iniciar determinado fármaco, sente uma alteração da função sexual, deve falar com o seu médico. Para além de todos estes factores, existem causas psicológicas, nomeadamente, o stress, a depressão e a ansiedade que podem provocar alterações ou dificuldades de erecção.
Na sua evolução ao longo do tempo, a diabetes, por exemplo, causa lesões vasculares e nervosas, duas estruturas fundamentais para iniciar a erecção, pelo que o mau controlo desta patologia pode conduzir a lesões irreversíveis destas estruturas. No nosso país, a grande maioria dos homens decide procurar ajuda médica já numa fase tardia da doença.
Trata-se de um aspecto cultural e educação, os doentes escondem o seu problema, pois entendem que ao falarem sobre a sua dificuldade debilitam a sua auto estima. Esta realidade é um erro grave, pois a doença na grande maioria dos casos é passível de tratamento.
Para estabelecer o diagnóstico e avaliar o grau de gravidade da DE, o médico deve complementar a História médica.
Consequências
A disfunção eréctil pode ameaçar o domínio pessoal, familiar, social e afectivo. Este problema, ainda é mais preocupante nos indivíduos jovens, uma vez que a actividade sexual desempenha nestas idades uma importância na afirmação acrescida. Nos jovens, com uma vida sexual activa, as dificuldades de erecção podem provocar alguns conflitos familiares, se a situação não for partilhada com a parceira.
A suspeita de traição e o sentimento de rejeição podem desencadear uma crise no casal. Por esta razão, a companheira deve estar ao corrente de toda a situação, uma vez que a mulher pode ser muito útil na terapêutica. Quando a mulher acompanha o homem à consulta, esclarecemos o doente, mas também informamos a mulher do que se está a passar.
É um problema a dois. A ajuda que a mulher pode dar, quer na vertente psicológica, quer no domínio sexual, é fundamental para que o homem se sinta seguro e desenvolva uma actividade sexual satisfatória para ambos.
O aparecimento de terapêuticas orais foi um passo positivo, e importante, para o doente bem como para o médico, pois passou a dispor de mais um recurso terapêutico. As principais vantagens dos agentes orais são a sua boa tolerância, com efeitos adversos pouco significativas, e boa aceitação pelos doentes. No entanto, estes fármacos necessitam de uma estimulação sexual prévia para desenvolverem o seu mecanismo de acção.
Estes agentes orais podem dividir-se em duas categoriais: acção curta (sildenafil e vardenafil) e acção prolongada (tadalafil). O sildenafil foi o primeiro fármaco oral a surgir em Portugal para a disfunção eréctil. Estes fármacos só podem ser tomados uma vez por dia e cerca de 60 minutos antes do acto sexual. Na linha de tratamento dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (i PDE5), encontra-se o vardenafil e o sildenafil.
O período de actuação destes dois fármacos é cerca de quatro horas. O tadalafil, também pertence a esta categoria de inibidores da Fosfodiesterase Tipo 5, mas é um fármaco com um período de acção até 36 horas, o que possibilita ao doente ter mais de uma relação sexual nesse período de tempo.
As propriedades farmacocinéticas únicas do tadalafil, assim como a ausência de interacções com alimentos e álcool, são factores que permitem maior facilidade de utilização.
Tal como nas Doenças cardiovasculares tem-se vindo a verificar uma maior informação, e sensibilidade para a Prevenção da DE, ao promover uma boa higiene alimentar, redução do consumo do tabaco e álcool, do sedentarismo, do peso, a actividade física regular (passeios a pé, andar de bicicleta) ou seja uma Saúde vascular global.
Dr. La Fuente de Carvalho,
Presidente da Sociedade
Portuguesa de Andrologia e
Chefe de Serviço de Urologia do
Hospital St. António no Porto
Fonte: Saúde em Revista